Outra das muitas idéias que vez por outra me ocorrem, e alguns aí talvez já tenham me ouvido falar dela pelos bares RPGísticos da vida, é a de desenvolver um cenário fantástico livremente baseado na cultura gaudéria, aquela coisa toda do pampa, do gaúcho, do chimarrão, e tudo mais. Nada como o Hi-Brazil da Daemon, que vai mais pelo lado da paródia; conceitualmente, eu sempre imaginei algo mais na linha de um Legend of the Five Rings, só trocando samurais por gaúchos. Claro que é só mais uma das minhas muitas idéias que não tem o costume de ir pra frente, mas vez por outra eu me pego imaginando como eu desenvolveria um cenário assim. Aqui estão alguns resultados desses devaneios insones olhando para o teto do quarto.
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O Continente do Santo Elo
O Continente do Santo Elo é uma massa de terra levemente arredondada, um pouco afunilada na região sul; é um pouco como a nossa América do Sul, mas achatada. Uma grande cadeia de montanhas corta o lado ocidental do continente, fazendo fronteira com um vasta floresta tropical no norte e noroeste. No extremo sul, expande-se um vasto deserto gelado. No nordeste do continente, um estreito istmo de terra o conecta com um continente mais ao norte.
Segundo consta nos registros da Escola Imperial de História, teria sido desse continente ao norte que, séculos no passado, os primeiros colonizadores humanos da região vieram, e travaram contato com diversas tribos de uma variação de elfos que vivia na região. Estes contatos ocorreram de formas bastante diversas: algumas tribos receberam pacificamente os colonizadores, travando diversas formas de alianças culturais e políticas; outras, no entanto, reagiram violentamente, travando longas guerras contra os colonizadores e seus aliados, e sendo freqüentemente escravizados e rechaçados para regiões mais profundas do continente.
Os séculos passaram, e as colônias eventualmente se consolidaram como parte da região, e se expandiram cada vez mais para o sul e para o oeste. Disputas políticas e econômicas entre os colonos e a metrópole do norte eventualmente levaram a uma longa guerra de separação, que terminou com a fundação do Império do Santo Elo. A existência do Império, com sua política escravista e de expansão pelo continente, ditou o desenvolvimento da história subseqüente na região. Em um dado momento, um grupo de cidades e regiões ao sul também tentou declarar-se independente do Império, resultando uma sangrenta guerra civil. Após duas décadas, um tratado de paz finalmente foi firmado, garantindo a liberdade da região, que prontamente organizou-se em uma federação de estados; o Império, no entanto, jamais desistiu de seus planos de reanexá-los aos seus territórios.
El Pampa: Terra de Ninguém
O Pampa, região central do cenário, é uma região que fica justamente entre as duas grandes forças políticas da região. É uma vasta extensão de planícies com coxilhas no coração do continente, cortado pelo Rio Platino e seus diversos afluentes. Uma vez que é a região de fronteira entre os dois estados, é lá que ocorre a maioria dos conflitos entre federados e imperiais, além de terra fértil para o contrabando e a bandidagem, indo vindo de um lado e outro das fronteiras conforme melhor lhes convém em cada momento - os chamados gauchos, aqueles que tem como nação apenas o Pampa e a si mesmos.
O lado oriental do Pampa pertence quase totalmente ao Império. É uma região dominada por estancieiros e criadores de gado, encarregados da produção de alimento para as regiões mais ao norte. Como no resto do Império, o trabalho escravo é amplamente difundido, tanto dos nativos élficos como também de outras raças diversas.
O lado ocidental pertence à Federação, embora também seja, em geral, dominada em sua maior proporção por estancieiros e fazendeiros, com alguns centros urbanos nas regiões próximas aos rios. A Federação, no entanto, proíbe todo e qualquer tipo de escravidão; os trabalhadores das fazendas são assalariados, muitas vezes mesmo escravos fugitivos das regiões do Império, ainda que não sejam necessariamente menos explorados por isso.
Ao sul do Pampa, em um estuário natural próximo de onde o Rio Platino desemboca no oceano, existe a República Sul-Pampeana do Rio Platino. Trata-se de uma região freqüentemente disputada pela Federação e pelo Império, e que, em um dado momento, liderados por um grupo de heróis locais, conseguiu se libertar da influência de ambos os lados. É, em geral, um reduto de contrabandistas, bandidos e fugitivos dos dois lados da fronteira.
Espalhados pelo Pampa existem, também, diversas Missões do Santo Elo. Tratam-se de pequenos aldeamentos organizados por sacerdotes do Santo Elo, onde elfos nativos são catequizados e vivem sob um regime comunal de trabalho da terra. Alguns destes aldeamentos são ligados aos Império, enquanto outros são ligados à Federação; existe um pequeno grupo deles, no entanto, que, no passado, se revoltou contra os estados e tentou se tornar independente. A revolta foi duramente esmagada por uma força conjunta de ambos os lados, numa das poucas vezes em que tal aliança aconteceu. Hoje não passam de ruínas das antigas cidades, rodeadas de lendas e histórias sobre tesouros e maldições diversas.
Outras Regiões
Existem diversas outras regiões habitadas no continente. À oeste do Império, por exemplo, existe a grande Floresta de Tupirá, habitada por algumas tribos élficas hostis à civilização e diversas raças exóticas de humanóides ferais. Ainda que o Império a considere parte do seu território, a verdade é que a maioria da região permanece intocada e inexplorada.
No extremo sul, saindo do território da Federação, existe o grande Deserto Gelado, habitado por tribos nômades de elfos que migraram para lá no passado fugindo da expansão imperial. Ainda que boa parte dele seja inabitado, é de conhecimento geral que existe um projeto do governo da Federação para ocupar a região.
As cadeias de montanhas que cortam o lado ocidental do continente também são habitadas, por um exótico império de elfos das montanhas governados milenarmente por uma dinastia de dragões emplumados. Muitas lendas e histórias existem a respeito desta civilização, muito embora seus contatos com os outros povos do continente sejam raros e cercados de mistério e encantamento por ambos os lados.
Atravessando as montanhas, no outro lado do continente, existe um deserto arenoso habitado por tribos nômades de uma raça exótica de anões negros. Tal deserto jamais foi cruzado na sua totalidade por enviados da Federação ou do Império, mas acredita-se que ele simplesmente vá ficando gradativamente mais brando, com chuvas cada vez mais freqüentes, até chegar ao oceano.
Por fim, existe também o continente norte, de onde os primeiros colonos humanos vieram. Desde a guerra de separação do Império do Santo Elo, os contatos com os reinos que lá existem foram praticamente eliminados, de forma que nas regiões mais distantes da Federação sequer é capaz de se imaginar como eram os povos que lá viviam. Postos militares do Império, no entanto, estão instalados permanentemente na região do istmo, por medo que a qualquer momento possa ver alguma tentativa de invasão.
População e Religião
Antes da chegada dos colonos do norte, a maior parte do continente era habitada por uma variação da raça élfica, com pele avermelhada e tamanho reduzido se comparado com os humanos. Com a criação, consolidação e expansão das colônias, hoje a grande maioria da população, tanto no Império como na Federação, é composta por humanos. Na Federação, no entanto, e em toda região do Pampa, é bastante comum também a presença de meio-elfos, frutos da mestiçagem entre as raças.
Algumas outras raças também habitam ambos os locais, em geral trazidas do norte na época da colonização como trabalhadores escravos. A mais comum é uma certa sub-espécie de orcs negros, utilizadas como trabalhadores braçais por sua grande força física. Na Federação, estes escravos foram libertados, e em geral são hoje empregados como trabalhadores assalariados em fazendas pelo Pampa; no Império, no entanto, prosseguem como escravos em sua maioria. Existem também algumas histórias sobre comunidades escondidas no interior do Império, formadas por escravos fugitivos.
Nas outras regiões, em geral predomina a existência de raças élficas, especialmente nas montanhas, no Deserto Gelado e na Floresta de Tupirá. Nesta floresta também existem diversas raças de homens animais e licantropos, como homens-onça e homens-boto, vivendo de forma quase selvagem, como animais comuns. E no deserto além das montanhas, diversas tribos de anões negros vagam pelas areias, embora seja muito raro que qualquer um deles seja visto deste lado do continente.
A religião predominante é a da Igreja do Santo Elo, uma crença monoteísta trazida pelos colonos do norte quando primeiro chegaram ao continente. Mesmo as tribos nativas acabaram, em grande quantidade, sendo convertidas a esta religião; seus sacerdotes podem ser encontrados com freqüência na Federação, no Império e mesmo na República do Rio Platino. Algumas tribos élficas, no entanto, mantiveram sua religião tradicionai, baseada na crença em espíritos da natureza, como o espirito das chuvas ou os espíritos dos rios, e diversos espíritos animais, como a Grande Onça ou o Grande Lobo; e os orcs negros escravizados possuem também um complexo panteão de deuses guerreiros, que, em geral, continuam a adorar em segredo no seu cativeiro.