
Um outro ponto controverso nas novas regras do Manual 3D&T Alpha foram as novas regras para escalas de poder. Diferente do Poder Gigante das edições anteriores, que funcionava como uma escala única, agora nós temos de fato quatro escalas diferentes, que multiplicam as características dos personagens por 1, 10, 100 ou 1000. A ideia original desta mecânica vem, acredito, do 4D&T, razão pela qual alguns parecem ter alguma resistência em adotá-la; outros parecem ficar um pouco confusos a esse respeito, especialmente quanto à possibilidade de os personagens trocarem de escala durante a campanha quando adquirem atributos altos o suficientes com o acúmulo de experiência.
Na realidade, as novas escalas servem para resolver um problema prático: como tornar um personagem muito poderoso sem necessariamente recorrer a características muito altas, uma vez que a mecânica do 3D&T funciona melhor em um nível mais baixo. A maioria dos RPGs genéricos, ao tentarem colocar personagens de níveis diferentes numa mesma escala, acabam tornando o jogo bastante difícil de lidar nos níveis mais altos – existem muitas piadas sobre jogadores rolando 100d6 ou mais em GURPS Supers, e tenho a minha própria experiência das complicações em criar personagens com NP alto em Mutantes & Malfeitores (meu recorde foi NP 22), por exemplo. O uso das escalas de poder, por outro lado, permite que o 3D&T fuja desta armadilha: criar e utilizar em jogo um guerreiro Z é tão simples quanto criar e utilizar um policial comum; no entanto, colocando o primeiro em escala Sugoi, você já o torna muito mais poderoso na prática do que o segundo, mesmo que a sua pontuação e média de características sejam menores.
Assim, a seguir apresento algumas considerações pessoais sobre as escalas do poder, as formas como, acredito, elas funcionam melhor em jogo, bem como algumas sugestões de regras e elementos adicionais que você pode utilizar. São todas decorrentes das minhas opiniões pessoais, é claro, de forma que você pode aproveitar as dicas que achar interessantes e ignorar as demais.
Considerações Iniciais
Antes de tudo, é necessário discutir um pouco o texto original sobre escalas de poder do Manual 3D&T Alpha. Isso ocorre porque ele é realmente confuso em alguns aspectos - em um primeiro momento, diz que a sua Força, Armadura e Poder de Fogo são multiplicados por 10, 100 ou 1000 em relação às escalas inferiores; logo depois, no entanto, também diz que o próprio dano é multiplicado da mesma forma. Assim, seguindo o texto à risca, e considerando que estas Características multiplicadas já influenciam diretamente no dano, na prática você o estaria multiplicando duas vezes! Da mesma forma, com os inimigos em escala superior possuindo 10 vezes mais PVs, e você causando danos 10 vezes menores, na prática os seus ataques serão 100 vezes menos eficientes do que na mesma escala.
Assim, é importante destacar primeiramente quais são os efeitos de fato das escalas de poder. Da minha interpretação do texto, assumo que elas alteram, principalmente:
- a Força dos personagens;
- a Armadura dos personagens;
- o Poder de Fogo dos personagens;
- os Pontos de Vida dos personagens.
Estes são os atributos a serem multiplicados ou divididos de acordo com as escalas em conflito. Assim, um personagem Kiodai com Força 4, Armadura 2, Poder de Fogo 1 e 15 PVs possuirá Força 40, Armadura 20, Poder de Fogo 10 e 150 PVs em escala Sugoi, e Força 400, Armadura 200, Poder de Fogo 100 e 1500 PVs em escala Ningen. Note que, na prática, estas alterações já afetam tanto os danos recebidos como causados em escalas diferentes: a sua Força multiplicada já irá automaticamente multiplicar a sua FA para as escalas inferiores, além de influenciar os seus testes de Força, assim como a sua Armadura já diminuirá o dano recebido, e os seus próprios Pontos de Vida já demorarão mais a serem vencidos.
Fica em aberto no Manual, no entanto, a questão de o que fazer quando personagens em escala superior possuem algum dos atributos iguais a 0, uma vez que multiplicados por qualquer valor eles continuariam iguais a 0, o que não parece adequado quando pensamos que as escalas deveriam representar justamente um acréscimo de poder. Como solução, sugiro que todo 0 em um atributo seja considerado, na verdade, como um 0,5: assim, ele continuará não fechando um ponto inteiro para ser levado em consideração quando confrontado com atributos na mesma escala, mas já poderá ser multiplicado quando em conflito com escalas inferiores. Um personagem Kami com A0, por exemplo, teria A5 contra um adversário Kiodai, A50 contra um Sugoi e A500 contra um Ningen.
O Manual também destaca que as escalas podem funcionar tanto multiplicando como dividindo os valores de jogo, dependendo de o personagem estar lidando com personagens de escala superior ou inferior. Por razões práticas, no entanto, acredito que seja mais fácil utilizar apenas multiplicações - portanto, não é o seu personagem Ningen que terá a Força dividida por 10 ao enfrentar um inimigo Sugoi, mas sim o oponente que terá Armadura e PVs multiplicados por 10 durante o conflito, obtendo, na prática, o mesmo resultado (ou um próximo o bastante). Talvez apenas no caso de atributos muito altos possa valer à pena dividir - por exemplo, quando o seu personagem Ningen com Força 12 enfrenta um oponente Sugoi com Armadura 2 -, para manter os valores mais baixos, mas neste caso fica a opção do mestre.
Isto significa que os combates sempre devem ser resolvidos na menor escala envolvida - por exemplo, em um combate com um personagem Ningen e dois Sugoi, multiplique as Características de ambos Sugoi por 10, e resolva o combate como se fosse ele todo na escala Ningen. Apenas caso o personagem mais fraco saia do combate ou mude de escala por algum motivo, você pode evoluir o conflito todo para a escala maior.
Outro elemento que, segundo o Manual, é afetado pela mudança de escala são os testes de Resistência contra ataques, magias ou efeitos cuja fonte venha de uma criatura de escala maior ou menor. Neste caso, o personagem pode receber um bônus de +10, +100 ou +1000 no teste, ou um redutor de -10, -100 ou -1000, de acordo com a diferença nas escalas. É um efeito válido, e que você pode manter; no entanto, mais adiante eu sugiro uma forma alternativa de lidar com testes em escalas diferentes, que você pode utilizar se preferir.
Uma forma alternativa, por fim, de resolver os conflitos em escala que já foi proposta em outro lugar (não consegui encontrar onde havia lido para dar os devidos créditos, mas deixo os comentários em aberto para o autor da ideia se manifestar) seria utilizar o mesmo modelo destes testes de Resistência: ao invés de multiplicar as Características, o personagem recebe nelas um bônus de +10, +100 ou +1000 (ou mais do que isso, para escalas superiores), de acordo com a quantidade de escalas a mais ou a menos que possuir. É uma variação válida, e que pode ser mais simples de usar, além de diminuir um pouco a diferença relativa de uma escala para outra. Assim, cabe ao grupo como um todo decidir qual modelo que prefere utilizar nos seus jogos.
No restante do texto, no entanto, para me manter de acordo com as regras oficiais, manterei as multiplicações, que você simplesmente trocar por bônus equivalentes se achar mais adequado.
Trocando de Escala
Uma das grandes questões que parece existir a respeito das escalas de poder no 3D&T Alpha diz respeito sobre quando, afinal, um personagem “sobe” de escala. Alguns parecem imaginar as escalas como um objetivo a ser atingido, como se o acúmulo de pontos e Características enquanto Ningen pudesse me tornar um personagem Sugoi, ou um Sugoi se tornar um Kiodai, e etc. Isso vem um pouco de como o Poder Gigante era tratado nas edições anteriores, e também da própria tradição dos RPGs, em que um personagem pode ser capaz de acumular experiência e poderes novos até o infinito.
Na realidade, as escalas no 3D&T Alpha funcionam melhor se você desvinculá-las desta ideia. Você não deve pensar nelas como uma evolução natural, mas sim como um elemento especial, prático, a que você pode recorrer quando quiser mostrar que algum poder, personagem ou situação está em um nível muito superior ao dos demais. É como quando o Shinji entra no Eva-001, ou o Goku se transforma em um super saiyajin: eles não evoluíram simplesmente até as escalas superiores, mas uma situação especial fez com que aumentassem muito o seu poder de uma hora para outra.
Assim, você não deve se preocupar em definir um momento em que os personagens, pela experiência acumulada, sobem de escala. Isso é algo que deve ser definido apenas uma vez: um personagem Ningen muito provavelmente seguirá assim por toda a campanha, da mesma forma que um personagem Sugoi, ou Kiodai, ou Kami. Se tanto, quando personagens de escala diferente se encontrarem, você pode converter suas Características - a F10 Ningen se tornará uma F1 Sugoi em um combate, tornando-o mais fácil de resolver. No entanto, ela seguirá sendo comprada como Força Ningen, o que quer dizer que você precisará comprar mais 10 pontos de Força para torná-lá uma F2 Sugoi.
Talvez seja mais simples de entender se você imaginar que um personagem de escala Sugoi, por passar por perigos e desafios maiores que um Ningen, também recebe experiência em uma escala superior. Portanto, 1 PE Sugoi na verdade equivale a 10 PEs Ningen - e, quando um personagem Sugoi gasta 10 PEs para aumentar o nível de uma Característica, é como se o personagem Ningen estivesse gastando 100 PEs para isso. Você pode inclusive utilizar esta ideia nas suas campanhas, se achar interessante: desafios muito perigosos, que possam ser considerados de uma escala superior, também concederão experiência em um nível superior.
Isso não quer dizer, é claro, que um personagem Ningen nunca será capaz de enfrentar um inimigo Sugoi ou superior. Um personagem suficientemente forte das escalas inferiores, com uma média de características múltiplas de 10, 100 ou 1000, poderia enfrentar oponentes em escalas superiores em pé de igualdade. Se achar que as características dos personagens estão em um nível muito alto, portanto, o mestre pode perfeitamente conversar com os jogadores sobre a possibilidade de dividi-las por 10, e assumir que todos subiram uma escala: assim, você volta a utilizar o 3D&T da forma como ele funciona melhor (ou seja, com valores baixos), e ainda eleva o nível de poder campanha como um todo, saindo, digamos, dos torneios de artes marciais para as ameaças cósmicas de destruição planetária, ou das explorações de masmorras para as invasões demoníacas que ameaçam a existência. No entanto, isso só deve acontecer em situações especiais, definidas pelo mestre, e que devem ser justificadas pelos acontecimentos de jogo, elevando-o a um nível mais grandioso e destruidor, e não simplesmente comprado com experiência - pense em quando os artistas marciais de Dragon Ball subitamente se tornaram os poderosos guerreiros Z em Dragon Ball Z.
Fora destes casos especiais, no entanto, as escalas devem ser usadas esporadicamente, concedendo aos jogadores aumentos temporários de poder, ou para demonstrar que um determinado oponente está muito acima do seu nível atual. A sua função deve ser exatamente a que já foi destacada anteriormente: uma forma prática, rápida e simples de aumentar as características a um personagem em uma determinada situação, levando-o a um patamar superior.
Algumas sugestões de como as mecânicas das escalas podem ser usadas desta forma em jogo, assim, são descritas a seguir.
Mechas. O exemplo clássico: os personagens adentram um veículo ou robô de tamanho gigante, que poderia esmagar com uma pisada um ser humano em tamanho comum. Assim, é comum que mechas pertençam a escalas superiores do que os demais personagens. Em outros casos, os próprios mechas podem subir de escala temporariamente, como quando formam um metabot (mecha maior formado por vários veículos menores, como um Megazord formado por vários zords).
Tamanho Gigante. Criaturas gigantes, ou que sejam agigantadas de alguma forma, geralmente podem ser tratadas como pertencentes a uma escala superior. Para permitir aos jogadores o uso desta possibilidade, você pode utilizar uma versão alternativa do feitiço Megalon, que, ao invés de dar bônus em atributos, aumente a escala do alvo em um nível para cada 20 PMs gastos - por exemplo, com 40 PMs seria possível subir de Ningen para Kiodai. O feitiço Mikron, por outro lado, passa a funcionar de forma invertida: cada 20 PMs gastos reduzem a escala do alvo em um nível. Em ambos os casos, um personagem recebendo o feitiço contra a sua vontade tem direito a um teste de Resistência para evitar os seus efeitos.
Magia. Em determinadas situações, uma magia pode também alterar a escala de poder de um personagem, especialmente se for conjurada por um mago de escala superior. Assim, você pode determinar que os feitiços de um conjurador também sejam considerados como pertencentes à mesma escala de poder que ele - um feitiço de Aumento de Dano lançado por um mago Sugoi, por exemplo, na verdade dará um bônus de +10 em Força por PM gasto para um personagem Ningen, permitindo que ele atinja escalas superiores. Por outro lado, seria necessário gastar pelo menos 10 PMs para que um Aumento de Dano de um mago Ningen desse um bônus de +1 em Força para um personagem Sugoi. (Isso pode inclusive ser utilizado para intervenções divinas: pense no bônus que o Seiya recebia quando a Atena mandava um Aumento de Dano ou Proteção Mágica Kami pra ele...)
Itens Especiais. Alguns itens especiais podem permitir ao personagem subir temporariamente de escala enquanto os utiliza. Exemplos poderiam ser as armaduras de ouro em Cavaleiros do Zodíaco, ou a espada Holy Avenger em Tormenta. Tais itens, no entanto, serão sempre raros e únicos, não podendo ser comprados com PEs, mas apenas concedidos temporariamente por seus possuidores para serem utilizados pelos personagens em alguma situação específica - pense no Seiya recebendo ajuda da armadura de Sagitário em um combate difícil, mas logo em seguida tendo de retornar à sua velha armadura de Pégaso.
Surtos de Poder. Esta é aquela situação típica de animes, em que, num momento de grande tensão e dificuldade, o Naruto libera a terceira cauda da raposa, o Seiya atinge o sétimo sentido, o Goku utiliza o kaioken aumentado vinte vezes, e assim todos aumentam muito o seu poder de combate de forma inesperada. Em regras, isso é feito utilizando Pontos de Experiência: cada PE gasto pelo personagem permite que ele suba a sua escala em um nível, durante uma rodada. Alternativamente, o mestre também pode permitir que o personagem gaste cinco vezes mais PEs (ou seja, 5 PEs para uma escala, 10 PEs para duas, etc), e assim mantenha o aumento até o fim do combate.
Dano Gigante (+2 pontos, x10 PMs). Esta é uma vantagem que apareceu pela primeira vez no suplemento U.F.O. Team, ainda para a versão Revisada e Ampliada do 3D&T, e que pode ser aplicada a Ataques Especiais. Ela deve ser usada para representar técnicas e armas muito poderosas, cujo dano é considerado como de uma escala superior a do personagem que a utiliza - por exemplo, um personagem Sugoi, utilizando um Ataque Especial com Dano Gigante, causaria dano em escala Kiodai. Pense em todos os ataques destruidores de monstros dos heróis japoneses, como o Chute Louva-a-Deus do Black Kamen Rider, ou a Power Bazooka dos Changeman. No entanto, o gasto em PMs também é aumentado proporcionalmente: um Ataque Especial simples, sem nenhuma vantagem adicional além de Dano Gigante, custaria 10 PMs para ser utilizado. Como versão alternativa da vantagem, pode ser determinado pelo mestre que o Dano Gigante não aumenta o custo em PMs do ataque, mas só pode ser usado uma vez por dia.
Escalas Reduzidas
O Manual 3D&T Alpha apresenta as escalas em apenas uma direção: você apenas sobe de escala, ficando mais poderoso a partir de Ningen, o nível mais baixo apresentado, que corresponde a um ser humano comum. Parece lógico imaginar, no entanto, que elas possam funcionar de forma invertida, para obtermos criaturas e personagens em níveis inferiores - seja por terem o seu tamanho reduzido de alguma forma, ou por simplesmente serem mais frágeis do que um humano normal seria.
Para isso, então, proponho uma nova escala de poder: a escala Chibi (que significa "baixinho"). Tecnicamente, ela seria uma escala inferior a Ningen - ou seja, um personagem Ningen tem determinadas características multiplicadas por 10 sempre que enfrenta alguém da escala Chibi. Você também pode, é claro, utilizar escalas inferiores a ela, cujos personagens sejam ainda mais impotentes em relação à escala Ningen.
Escala Chibi (:10)
- Heróis com tamanho reduzido, como o Homem-Formiga, a Vespa ou o Chapolim Colorado sob efeito das pílulas de nanicolina.
- Pequenos animais antropomórficos, como Tico e Teco, Fievel, Bernardo e Bianca, Hamtaro ou os membros da Guarda em Os Pequenos Guardiões (Mouse Guard).
- Familiares, coadjuvantes cômicos e kawaiis de maneira geral (embora hajam exceções), como o Snarf em Thundercats, o Gorpo em He-Man e Os Mestres do Universo, ou o macaquinho Jack em Piratas do Caribe.
- Pequenos robôs, veículos ou modelos construídos em escala reduzida, seja para combates simulados, como os peões de Beyblade, ou simplesmente exposição, como os soldados em miniatura de Uma Noite no Museu.
Escalas Virtuais
Outra possibilidade para usar as escalas de poder em jogo seria o uso de escalas virtuais. Por virtual, neste caso, me refiro a uma escala de poder que não existe realmente; ela é apenas uma abstração, uma forma de lidar com uma situação específica que não pode se manifestar ou interagir normalmente com personagens pertencentes às outras escalas, mas apenas aos que pertencem a mesma escala que ela.
Um exemplo de escala de poder virtual poderia ser uma escala Cyber, a ser adotada em cenários cyberpunk. Ela seria utilizada por hackers e tecnautas sempre que adentram o mundo virtual da matriz que une as redes de computadores, que eles explorariam, enfrentando GELOs e outros programas de segurança, utilizando uma ficha de personagem única para a sua persona virtual. Fora da matriz, no entanto, esta ficha nada significa: a Força dos seus programas de invasão não atacará inimigos físicos, e a Armadura dos seus antivírus não protegerá o computador de um chute na CPU.
O acesso a escalas virtuais pode acontecer de diversas maneiras. Em alguns cenários, onde o uso de uma delas seja muito comum e difundido, o mestre pode permitir que cada jogador já comece com uma persona virtual, com uma ficha separada construída para quando ela for utilizada. Em outros, ela pode ser adquirida através de um Aliado, da mesma forma que máquinas e veículos - por exemplo, representando o computador que um hacker "pilota" quando adentra a matriz, com as Características e vantagens dos seus programas e periféricos compradas segundo as regras da vantagem. Outra possibilidade seria a de uma Forma Alternativa que pertença à outra escala, como em uma imersão completa no mundo virtual, que desfaça o seu corpo em bits e bytes e os transmita para dentro do computador. E por fim, um personagem também pode gastar PEs para ganhar acesso temporário a uma escala virtual, de forma semelhante a um Surto de Poder.
Outros exemplos de escalas virtuais poderiam ser as escalas Psíquica (usada por personagens com poderes psíquicos para batalhar com suas mentes), Astral (usada por magos quando projetam suas consciências através de magia), Espiritual (usada por xamãs quando entram no mundo espiritual), etc. Escalas virtuais também poderiam ser usadas para a resolução dos conflitos alternativos sugeridos no artigo anterior.
Testes em Escala
Por fim, as escalas de poder também nos dão uma última possibilidade interessante, a de usá-las para classificar não apenas personagens, mas também situações e desafios. Afinal, se um inimigo gigantesco, como o Godzilla, pode ser considerado como pertencente a uma escala superior, podemos fazer a mesma coisa com uma tarefa muito acima do padrão - digamos, quando você quer levantar uma montanha ao invés de uma simples rocha. Da mesma forma, é certo que Hyninn, o deus dos ladrões de Tormenta (e que por isso pertence à escala Kami), teria muito mais facilidade em bater uma carteira do que aquele pivete que você viu na frente do templo.
Assim, além de classificar tarefas por dificuldade (Fácil, Média ou Difícil), você também pode classificá-las por escala. Tarefas Ningen são as mais simples, aquelas que qualquer personagem comum é capaz de fazer - acertar alvos a uma distância razoável, realizar acrobacias comuns, sobreviver em meio à selva, etc. Tarefas Sugoi já serão de um nível superior, possível apenas para personagens sobre-humanos; pense no Super-Homem levantando um carro como se fosse um livro, ou no Homem-Aranha desviando de uma rajada de balas. Tarefas Kiodai são ainda mais grandiosas, permitindo sobreviver em planos de existência alienígenas e destruir cidades com testes de PdF. E as tarefas Kami, enfim, são aquelas dignas de deuses: mudar os rumos de uma batalha entre exércitos, destruir planetas com seu Poder de Fogo, ou criar vida do barro com um teste de Ciências.
Um personagem de uma escala superior realizando uma tarefa de uma escala inferior terá o seu atributo testado multiplicado por 10 para cada nível de diferença entre as escalas. Assim, um ladrão Sugoi com H2 tentando bater a carteira de um taverneiro Ningen terá, na verdade, H20 para realizar aquele teste. É muito difícil que um personagem nesta situação seja mal-sucedido - praticamente só ocorrerá com um resultado 6 na rolagem dos dados.
Na situação oposta, com um personagem de escala inferior tentando uma tarefa de escala superior, será o resultado do dado que será multiplicado por 10 para cada escala de diferença. Então, se o seu ladrão Sugoi estiver tentando bater a carteira do próprio Khalmyr (que pertence, obviamente, à escala Kami), um resultado 2 no dado na verdade seria equivalente a um 200! Ou seja, é muito provável que ele não seja bem-sucedido, a menos que tenha atributos muito altos, ou muitos PEs para gastar tornando o teste possível.
A critério do mestre, este mesmo sistema pode ser usado para testes de Resistência contra magias de escala superior ou inferior: um personagem Sugoi recebendo um feitiço Ningen multiplica a sua Resistência por 10 para o teste; já para um personagem Ningen recebendo um feitiço Sugoi, é o dado que é multiplicado por 10 na hora do teste.
Alternativamente, as própria perícias também poderiam ser classificadas por escalas, no lugar das Características. Assim, uma perícia de Ciências Sugoi, representando conhecimentos científicos extremamente avançados, multiplicaria os atributos do personagem por 10 para resolver tarefas Ningen, enquanto o dado seria multiplicado por 10 ou mais em tarefas Kiodai ou superiores. Você pode inclusive estabelecer um custo para obter perícias de níveis superiores, proporcional ao valor das escalas - uma perícia que custa 2 pontos normalmente custaria 20 pontos para ser adquirida em nível Sugoi por um personagem Ningen.